Como construir uma carreira de sucesso: com Diretora da Serasa Experian

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A Vamos Subir, startup social que ajuda jovens no início de carreira a ter sucesso a partir de sua mudança comportamental, realizou live no último dia 27 do mês de agosto de 2020 com Fernanda Monnerat, Diretora da Serasa Experian, onde ela trabalha há mais de 15 anos.

Vamos lá?

Fernanda Monnerat, iniciou sua fala dizendo nessa live dizendo que cursou faculdade de Engenharia de Produção em Viçosa – Minas Gerais, chegou a São Paulo com 22 anos, e há 15 anos trabalha na Serasa.

Foi perguntado a ela, qual o negócio da Serasa, vamos ver o que ela respondeu?

Mas o que é a Serasa, qual seu negócio?

Para Fernanda, geralmente, as pessoas têm um certo “medo” da Serasa, devido ser uma empresa de cobrança etc. Flávio Valiati, o fundador da Vamos Subir ainda brincou: o “maior medo do meu pai era receber uma cartinha do Serasa”…

Fernanda diz que a Serasa é uma empresa antiga com mais de 50 anos no mercado brasileiro, uma empresa que nasceu por iniciativa nos bancos, de modo que fosse uma empresa prestadora de serviços para eles, o que acabou sendo um negócio de sucesso.

Tanto que a Serasa foi vendida em 2007 para a Experian, um grupo inglês e que opera mais de R$ 40 bilhões no mês. E, hoje, a Serasa tem um market share muito significativo.

É uma empresa muito interessante para trabalhar, mas que por sinal, muitos veem a Serasa como uma empresa burocrática, como uma repartição pública.

A Serasa tem feito um trabalho de aproximação com o consumidor, dando acesso aos dados e score de crédito gratuito. A empresa tem uma bandeira bacana, principalmente no que diz respeito a educação financeira, de modo que ela pode ajudar as pessoas serem donas de suas vidas financeiras, além de ser uma empresa preocupada quanto às questões de carreira, de como você pode se fomentar, movimentar e se motivar.

Outra pergunta feita a ela:

Como foi o início de sua carreira, quais os principais desafios e o que te levou a alavancar sua carreira mais cedo?

A faculdade onde estudei não tinha oportunidade de bons estágios e quando comecei a trabalhar na Serasa e vi quantas pessoas bem preparadas que eu estava competindo, por estas pessoas já morarem em São Paulo e já faziam estágio desde cedo, não foi fácil.

E essa situação me deixou super ansiosa, pois havia uma sensação de atraso.

Assim, ela entrou para o mercado de trabalho acreditando que precisava muito fazer acontecer e isso também trouxe a ela a oportunidade de desenvolver soft skills, que são habilidades de interação e relacionamento com outras pessoas.

Ela teve oportunidade de estagiar em outra empresa na época, mas era curiosa para saber como era vida em São Paulo, a qual na época não era uma cidade muito atrativa.

Foi quando entrou para a Serasa, que ainda tinha um mindset muito interno, com ritmo próprio e velocidade operacional ainda lenta.

Mas que quando a empresa foi comprada pela Experian, começou uma movimentação incrível na empresa, como: gente mudando de cadeira, novos projetos acontecendo etc, que para Fernanda foi muito bom ou até sensacional. Isso por acreditar que essas mudanças que aconteceriam seriam boas para ela. E, momentos de mudanças geram muito medo, mas gera também oportunidades boas de largada.

E o que a ajudou muito a acelerar sua carreira foi pensar que ela estava pronta, até porque ela sabia que queria uma carreia de executiva, mesmo não compreendendo direito o que ela queria. Até porque teve coragem e confiança em si mesmo, mesmo sem saber exatamente que direção seguir.

Ela considera que “testar” faz com que a pessoa aprenda o que não quer, e que é sempre importante estar pronto para tudo.        

E quando você aprende o que “você não quer”, o início de carreira é meio caminho andado, pois você vai tirando o que não é interessante para você.

“No início de carreira, é ir absorvendo o máximo de coisas que você puder, e que quando você consegue acelerar sua curva de aprendizado, que você conseguir aprender as coisas mais rápido, isso faz uma diferença enorme para sua carreira”.

O que é muito valorizado no mercado quando se fala em mindset de crescimento que é ter uma elasticidade mental de aprender coisas novas e aprender rápido.

Ela considera que não sabia direito o que queria, assim ela foi testando muitas coisas. E tem um fator que ela não pode negar: a habilidade de liderança que ela sempre teve, pois eram pessoas que queriam crescer. E que sempre ela teve líderes muito ambiciosos que queriam crescer, e com isso, eles puxavam quem estava embaixo.

Fernanda se tornou líder de pessoas com 23 anos de idade, assumindo importantes áreas, e considera isso, devido a questão de sempre buscar abraçar as oportunidades. E um importante trabalho que ela realizou foi reunir e discutir metas de vendas com vendedores, o que para ela não foi um assunto fácil, pois às vezes, se reunir com pessoas grosseiras, que faziam chantagem emocional com ela, não foi fácil.

Mesmo assim, ela considerou isso como momentos sensacionais, pois momentos de desconforto deixam as pessoas ainda mais fortes. Então foram momentos no início de carreira que a ajudaram muito.

Ela gosta de ser reconhecida por ser boa em algo, não pelo cargo em si, o que para ela é uma consequência. E isso conta muito, mais que crescer rápido, é pensar que aquele cargo que virá como consequência faz todo sentido para você.

E quando se fala em acelerar a carreira, virar gerente, executiva, dentre outros cargos, mas a questão toda é você ocupar essa cadeira com propriedade. É fundamental e fica inquestionável o que você vai conquistando na sua carreira com o tempo.

Para Flavio Valiati, participante da live, “o profissional tem que ser bom para seu manager (gestor) e para a companhia. E a gente sempre cresce nos momentos em que a gente se expõe, claro de forma calculada. E, é fora da zona de conforto que a gente de fato vai aprender. Aquilo que nos fazem sentir desconfortáveis, como aquele frio na barriga, aquele medo… é onde a gente vai descobrir nosso potencial, que é onde normalmente vamos descobrir nossa capacidade de execução”.

Você imaginava acelerar tão rápido sua carreira e esse crescimento foi devido a um certo tipo de ambição ou houve um planejamento estruturado por trás?

Fernanda tinha expectativa de crescer. Para ela sempre foi muito natural a questão de liderança, por exemplo, ela conta que foi a primeira diretora do diretório acadêmico da faculdade e ainda participou do comitê do MEC para regularizar o curso.

Então, essa questão de ficar de fora criticando, não é com ela. Mas que o perfil dela sempre foi muito atrelado em realizações.

Pela sua história e realizações, ela acreditava que ela iria crescer sim.

Mas que no começo de sua carreira ela estava mais preocupada em absorver o que estava em volta, conhecendo tudo e sendo desafiada diante o momento.

Sendo que nos primeiros 5 anos de carreira, ela foi se testando algumas práticas, ainda muito nova, ela já começou a gerenciar pessoas, depois disso, foi a hora de gerenciar pares e de idade maior que a sua, se tornando líder de pessoas que quase estavam aposentando.

Tudo isso foram desafios interessantes e ela foi se moldando como líder. E que ela não estava escolhendo cargos e função, mas sim, oportunidades e experiências.

E que antes ela se sentia dentro de uma zona de conforto, mas que agora que ela tem essa visão de ser capaz, ela quer começar a fazer seus movimentos.

Nesse período que ela começou a sair de sua zona de conforto, ela começou a escolher onde ela queria estar. E quando se tem muito tempo numa empresa, há desvantagens e vantagens.

E uma vantagem de se ter muito tempo de empresa, é que você sabe muito bem “onde está pisando”, então ela pôde escolher projetos muito atrelados ao que ela sabia que estava dentro de suas ambições de crescimento na Serasa e como quem ela iria trabalhar nesses projetos etc.

Foi quando ela foi para a área de negócios da Serasa e começou a trabalhar em alguns projetos.

Ela foi frente em um projeto (Cadastro Positivo em 2013) muito diferente que a Serasa vinha fazendo, foi quando se começou a conversar com o consumidor, que é onde ela aprendeu como lidar, sobre o que fazer etc.

A questão de planejar está muito ligada ao tipo de maturidade que você tenha, mas o mais importante é estar com o mindset aberto para as oportunidades que podem surgir para você no decorrer do tempo. Porque os acontecimentos lhe mostram o que você pode fazer.

Nesse processo de planejamento de carreira, o interessante para Fernanda é você ter mentores, pessoas que podem te agregar de alguma forma. Ter um bom líder é muito importante, mas não é a única pessoa que você pode ouvir em sua carreira.

Ver pessoas que te inspiram e trocar ideias com essas pessoas, é muito interessante. Outro ponto importante é trabalhar com líderes novos, que estão vindo do mercado e com novas ideias.

O que não deixa de ser um mindset novo e agrega muito em sua carreira.

E quando se fala em carreira, ainda tem muita gente que associa carreira à empresa, como: “o que a empresa vai me oferecer, o que a empresa tem de plano de carreira”?

“Isso porque a carreira é 100% nossa, ela está em nossas mãos”. Fernanda considera que a carreira é um tipo de contrato e que enquanto está bom para você e para a empresa, está tudo bem.

Mas se esse contrato começa a ficar desbalanceado, de um lado ou do outro, é quando alguma coisa está disfuncional. Assim é preciso começar a tentar mudanças que podem acontecer. Mas a escolha da sua carreira, a empresa pode te ajudar e deve, mas a responsabilidade é 100% de cada um de nós.

É interessante ter ainda a transparência de cada lado, tanto da empresa quanto da sua parte, e quando há essa transparência, as coisas fluem de uma forma legal.

Valiati diz que uma coisa que ele tem aprendido na sua carreira é “que quanto mais transparente e quanto mais alinhada nossa carreira está, e as expectativas estão acertadas, menos expectativas a gente gera para a empresa e para a gente durante o caminho”.

Às vezes, a gente está tendo frustações, mas não que a empresa não quer dar oportunidades, mas porque a gente não consegue estabelecer um diálogo, tipo “vamos alinhar nossas expectativas”? E aí a gente encontra um caminho que a gente começa a sonhar e a transformar em um planejamento.

Quanto a sua visão de maternidade e carreira, quais foram seus medos e como a empresa te apoiou?

Mas que todas as suas gravidezes foram planejadas, embora não tenha como ficar, por exemplo, 6 meses fora de sua função e que seja fácil. “Mas se você deixa seus planos bem claros e se há uma transparência no diálogo”, ela não ver problemas e cada mulher precisa escolher a forma de fazer esse afastamento, com quer fazer etc.

Inclusive, antes de sair de licença maternidade, ela entregou um importante projeto na época e durante sua licença ela foi acionada para atuar em outro projeto. Então durante a licença, manter um diálogo aberto, faz com que novos projetos possam surgir, pois eles acontecem de uma forma muito rápida, uma vez que as empresas são muito dinâmicas.

Para Fernanda, ter apego ao cargo, à uma “cadeira” ou à função, isso não funciona mais! Mas ter uma cabeça aberta ajuda muito.

E ter também a empatia depois que foi mãe foi algo que aconteceu com ela, o que ajudou na liderança do time, que é um jogo de ganha-ganha.

Existem algumas competências que o profissional precisa ter para estar no jogo e performar de forma diferente, ou seja, para estar acima da média no mercado?

“Eu destaco o autoconhecimento, que é a questão de você se conhecer, suas emoções, por exemplo, e porque elas estão te afetando, como você vai expelir isso… o que é fundamental”.

E dentro do autoconhecimento, como gerar esse impacto? Isso pode ser feito de diferentes formas, por exemplo: conhecendo seus gatilhos, como o que te deixa nervoso etc. Então tudo que você pode gerar no sentido de se autoconhecer, isso é muito importante. Como, por exemplo, fazer uma leitura, a religião… enfim!

Um outro exercício que é muito válido: quando, por exemplo, uma pessoa te agride, isso diz muito mais sobre a pessoa que agrediu do que sobre você. O que é um problema dela e diz respeito a forma que ela está lidando com os seus problemas.

Agora, como você lida com isso, como você recebe essa agressão e como isso te abala, já é uma coisa que você pode lidar. Então é preciso entender… tem coisas grandes que a gente consegue absorver, e tem coisas muito pequenas que abalam a gente de uma forma que a gente não consegue entender.

E a questão do autoconhecimento é você ir à origem daquele sentimento, é entender porque a pessoa falou tal coisa que lhe deixou abalado ou triste. Então é uma forma de você começar a processar tudo de uma forma mais fácil.

E quando você se coloca em uma situação de desconforto, é justamente aí que você testa o que te abala, o que faz você chorar ou deixa em alto nível de estresse, por exemplo.

Fernanda diz que quando ela saiu da área operacional da empresa, ela começou a fazer coaching (um acompanhamento profissional para atingir objetivos), e sempre em sua carreira quando ela fez um movimento, seja um novo time que ela estaria recebendo ou nova área, por exemplo, ela sempre optou por fazer algumas sessões de coaching.

Claro que a pessoa está longe de estar preparada para tudo, e há no mercado excelentes profissionais que podem ajudar. Então em alguns momentos de sua carreira, ela pediu ajuda para um mentor ou coach. E isso tem ajudado muito a ela.

O que você entende por give back (retribuir por algo) e como você tem retribuído para a sociedade ou para os jovens?

Às vezes, pode demorar um pouco você sentir o ímpeto de fazer. O projeto do Vamos Subir, por exemplo é muito legal, eu vejo isso como algo muito fantástico.

Às vezes também pode demorar um pouco o chamado, mas ele acaba vindo. De alguma forma você querer contribuir com as coisas que estão acontecendo ou gerar valor para uma cadeia com o conhecimento que você tem.

Fernanda tem em mente também um plano pessoal e pretende iniciar um piloto com o Vamos Subir na tentativa de oferecer mentoria: o que pode ser na forma de conversar um pouco com as pessoas sobre carreira e contribuir com suas visões práticas, ou de como a pessoa pode desenvolver na carreira etc.

Por exemplo, se a pessoa foi promovida ou movimentou de área, como ela deve agir a partir de então, ou se deseja uma promoção o que seria certo fazer… trata-se de momentos de viradas na carreira das pessoas e que Fernanda sente que pode e quer ajudar.

Além de você ser nova para o cargo de Diretora, e como você é ainda mulher, como você lida com isso?

Ela não passou por muitas situações onde se sentiu menosprezada por ser mulher, mas sempre foi muito focada em fazer a parte dela sem olhar muito para os outros.

Mas para ela, isso não determina nossa carreira. E a mulher tem que se posicionar, tem que se colocar num lugar que nos dê visibilidade.

E a parte do machismo, a deselegância do outro é problema do outro. Mas a forma como isso te afeta, é uma coisa sua. O que você pode fazer.

E ela afirma que, geralmente, para a mulher se candidatar para um cargo, ela olha para o que precisa e diz: “isso ainda não tenho”. É esperar ter 100% dos requisitos para se candidatar a um cargo. Enquanto a média dos homens, se eles têm entre 50 e 60% dos requisitos, eles se candidatam para o cargo.

Então, para ela, ela tem que ser mais arrojada, tem que se candidatar, a mulher só vai saber se tem os requisitos se candidatar.

Então, ela acredita que é preciso confrontar o problema. Assim, há uma parte na mulher que dá para fomentar, e isso a ajudou muito.

E se você está numa empresa séria e olha para resultados, isso tem consequências positivas.

Fernanda, você tem medo de fracassar, como você enxerga os erros que acontecem no dia a dia?

Ela diz que quanto ao fracasso, você precisar aprender com ele. É preciso errar rápido e acertar rápido. Há ainda no Brasil uma cultura contra o erro, o que é uma cultura errada, pois inibe a inovação, e impede as pessoas de serem arrojadas.

E, hoje, ela se sente mais segura e tem menos medo do fracasso do que a tempos atrás. E se ela está fracassando, com certeza, irá tirar uma lição boa da situação.

Então a lição é: erre, mas aprenda rápido! Certinho?

Concluindo

Neste conteúdo você conferiu um resumo de uma live feita com Fernanda Monnerat, Diretora da Serasa Experian.

Ele compartilhou sua trajetória de início de carreira e dentro da empresa, além de passar insights sobre iniciativa, dicas de carreira, a necessidade de se posicionar para o que você quer, competências profissionais valorizadas e criatividade.

Assista o vídeo na íntegra para melhor assimilação desse conteúdo e avance em sua carreira, acesse: http://bit.ly/LiveVS-Fernanda-Monnerat

Até o próximo conteúdo!

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